1.ª
causa de morte por cancro em Portugal — e a maioria dos casos é encontrada em fases tardias
OMS / Globocan
É a primeira causa de morte por cancro em Portugal e evolui em silêncio, sem sintomas nas fases iniciais. Para as pessoas de maior risco, existe hoje um exame capaz de o detetar cedo — e uma conversa com o seu médico é o primeiro passo.
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1.ª
causa de morte por cancro em Portugal — e a maioria dos casos é encontrada em fases tardias
OMS / Globocan
20–25%
a redução de mortalidade por cancro do pulmão observada nos grandes estudos de rastreio com TC de baixa dose, nas pessoas de maior risco
NLST / NELSON
15–20%
dos casos surgem em pessoas que nunca fumaram — prevenir não é culpabilizar
OMS / IARC
Segundo os dados da OMS (Globocan), em Portugal são diagnosticados mais de 5 mil novos casos de cancro do pulmão por ano — e a maioria é encontrada tarde. Não é por descuido de ninguém: nas fases iniciais, este cancro raramente dá sinais. Quando os sintomas aparecem, a doença está muitas vezes numa fase em que as opções de tratamento são mais limitadas.
É por isso que esperar por sintomas não é uma estratégia de prevenção. Para a maioria das pessoas, a resposta certa é não fumar (ou deixar de fumar) e manter as consultas de rotina. Para um grupo específico de maior risco, há mais um passo possível: o rastreio.
O rastreio faz-se com uma tomografia computorizada (TC) de baixa dose — um exame de imagem rápido, sem picadas nem contraste, que usa uma dose de radiação bastante inferior à de uma TC convencional.
Os grandes ensaios internacionais (NLST, nos Estados Unidos, e NELSON, na Europa) mostraram que, nas pessoas de maior risco, este rastreio reduz a mortalidade por cancro do pulmão na ordem dos 20 a 25% — porque encontra tumores ainda pequenos, numa fase em que o tratamento curativo é mais frequentemente possível.
O rastreio não é para toda a gente — é dirigido a quem mais pode beneficiar. A recomendação norte-americana (USPSTF), a referência internacional nesta área, aponta para pessoas dos 50 aos 80 anos com uma carga tabágica de pelo menos 20 «maços-ano» (por exemplo, um maço por dia durante 20 anos, ou dois maços por dia durante 10), que fumam atualmente ou deixaram de fumar nos últimos anos. O tempo que passou desde a cessação também pesa na decisão — e é o seu médico quem avalia o conjunto.
Fora deste grupo, o equilíbrio muda: os falsos positivos e os exames adicionais podem pesar mais do que o benefício. Por isso é uma decisão a tomar com o seu médico, caso a caso. Em Portugal, o rastreio do pulmão ainda não é um programa organizado de base populacional como o da mama ou do intestino — mais uma razão para levar o tema à consulta.
Poucas doenças carregam tanto estigma. A pergunta «fuma?» transporta muitas vezes um julgamento — e sabemos que esse julgamento leva pessoas a adiar a procura de cuidados, contribuindo para diagnósticos mais tardios. A medicina existe para compreender, prevenir e tratar; não para julgar.
E a realidade é mais complexa do que o estigma sugere: cerca de 15 a 20% dos casos ocorrem em pessoas que nunca fumaram, em particular mulheres. A predisposição genética, o radão, a poluição do ar e certas exposições profissionais também contam. Se fuma, deixar de fumar traz benefício em qualquer idade — e o seu médico e a linha SNS 24 podem ajudar nesse caminho, sem culpa.
Antes da consulta, três passos ajudam — sem alarme e sem decidir sozinho:
Faça da prevenção um hábito. Prepare o seu check-up anual e chegue à consulta com as perguntas certas — e com um plano.
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