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A prevenção em Portugal: onde estamos e o que tem ao seu dispor

Portugal vive mais anos do que nunca — o desafio, agora, é vivê-los com saúde. E o SNS já oferece várias ferramentas para isso.

6 min de leitura

≈81–82

anos de esperança de vida em Portugal — mas os anos de vida saudável ficam aquém da média da UE.

OCDE / Eurostat

≈1 em 4

óbitos em Portugal deve-se a doenças do aparelho circulatório — a principal causa de morte no país.

INE — Causas de Morte

≈4 em 10

adultos portugueses têm tensão arterial elevada, segundo o estudo de referência nacional.

Estudo PHYSA — Soc. Portuguesa de Hipertensão

Vivemos mais, mas nem sempre melhor

A esperança de vida em Portugal ronda os 81 a 82 anos, acima da média histórica e em linha com os países europeus mais longevos, segundo a OCDE e o Eurostat.

O contraste está nos anos de vida saudável: os mesmos indicadores europeus mostram que os anos vividos sem limitações ficam aquém da média da União Europeia. Vivemos mais — mas uma parte desses anos é vivida com doença crónica que, em muitos casos, podia ser adiada ou atenuada.

O peso das doenças crónicas em Portugal

Segundo o INE, as doenças do aparelho circulatório continuam a ser a principal causa de morte no país, responsáveis por cerca de 1 em cada 4 óbitos, com o AVC em posição de destaque.

A hipertensão é o fator de risco mais comum: o estudo PHYSA, da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, encontrou tensão arterial elevada em cerca de 4 em cada 10 adultos portugueses.

Na diabetes, o Observatório Nacional da Diabetes estima uma prevalência de cerca de 13 a 14% entre os 20 e os 79 anos — das mais elevadas da Europa — com uma parte substancial das pessoas ainda por diagnosticar.

O que o SNS lhe oferece

O Serviço Nacional de Saúde assenta a prevenção nos cuidados de saúde primários: o seu médico de família e a sua equipa de saúde são a porta de entrada para consultas de vigilância do adulto, avaliação de fatores de risco, vacinação e aconselhamento.

Mesmo sem queixas, tem direito a consultas de rotina onde se avaliam tensão arterial, peso, hábitos e historial — e onde o médico decide que análises ou exames fazem sentido para si. Se não tem médico de família atribuído, pode inscrever-se no seu centro de saúde ou através dos canais digitais do SNS.

Os rastreios organizados de base populacional

Portugal tem programas de rastreio oncológico de base populacional, coordenados pela Direção-Geral da Saúde e pelas administrações regionais de saúde, para três cancros: mama, colo do útero e cólon e reto.

Em termos gerais, o rastreio do cancro da mama convida mulheres dos 50 aos 69 anos para mamografia de dois em dois anos; o do colo do útero utiliza o teste HPV em mulheres adultas em idade elegível; e o do cólon e reto assenta na pesquisa de sangue oculto nas fezes a partir dos 50 anos. As idades e periodicidades exatas podem variar por região e ao longo do tempo — confirme a sua situação junto do seu centro de saúde.

Se receber uma carta ou SMS de convocatória para um rastreio, responda: é gratuito, rápido e é das formas mais eficazes de deteção precoce que a evidência conhece.

Desafios — e o que pode fazer já

Os desafios existem e são conhecidos: a cobertura dos rastreios ainda não é uniforme em todo o território, a adesão varia, e muitas condições comuns — hipertensão, diabetes, colesterol elevado — continuam subdiagnosticadas.

A parte que depende de si é simples: saiba quem é o seu médico de família, mantenha as consultas de rotina, responda às convocatórias de rastreio e conheça os seus números. E leve as suas dúvidas à consulta — a prevenção em Portugal funciona melhor quando cada pessoa faz a sua parte.

Fontes

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